Tarifas EUA-UE colocam comércio europeu de cavalos no centro da agenda equestre

Exportações, leilões, criação e preparação para LA2028 podem sentir o impacto de uma política comercial ainda instável.

A discussão sobre tarifas entre os Estados Unidos e a União Europeia deixou de ser apenas um tema de política comercial geral e passou a tocar diretamente um dos segmentos mais valiosos do setor equestre europeu: a exportação de cavalos de desporto e de corrida.

A European Equestrian Federation, em articulação com a European Horse Network, alertou a Comissão Europeia para o risco de novas tarifas norte-americanas penalizarem um mercado altamente especializado. Segundo a EEF, em 2024 a União Europeia exportou para os Estados Unidos cavalos no valor de cerca de 560 milhões de euros, correspondentes a aproximadamente 7.100 animais.

O tema é particularmente relevante porque a Europa é um fornecedor central de cavalos de desporto para o mercado norte-americano. Países como Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Irlanda e França combinam criação, leilões, transporte internacional, treino e serviços veterinários numa cadeia de valor que depende da previsibilidade comercial. Nos Países Baixos, por exemplo, o instituto nacional de estatística CBS indicou que as exportações de cavalos atingiram 457,5 milhões de euros em 2024, com os Estados Unidos a representarem 271,4 milhões de euros desse total.

O impacto económico vai além do preço final do cavalo. Tarifas adicionais podem alterar margens de criadores, agentes, leiloeiras, transportadores e compradores, sobretudo quando os animais são adquiridos para investimento desportivo, competição internacional ou revenda. Para pequenos criadores europeus, que muitas vezes dependem de poucos negócios de alto valor por ano, a incerteza fiscal pode significar adiamentos, renegociação de preços ou perda de competitividade face a mercados fora da União Europeia.

Do lado norte-americano, o American Horse Council tem sublinhado que a situação continua dinâmica. A organização refere que há atualmente relatos de uma tarifa geral em torno dos 10%, mas recomenda que importadores consultem profissionais especializados antes de qualquer transporte, uma vez que regras, enquadramentos legais e custos podem mudar rapidamente.

A questão também tem uma dimensão desportiva. A EEF nota que restrições ou custos acrescidos podem ter reflexos na preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, num contexto em que cavaleiros, federações e programas de alta competição nos Estados Unidos dependem de forma significativa de cavalos, equipamento e serviços oriundos da Europa.

Para o setor equestre, a mensagem é clara: comércio internacional, política pública e performance desportiva estão cada vez mais interligados. A competitividade europeia na criação de cavalos de elite não depende apenas de genética, treino e reputação, mas também de estabilidade regulatória, capacidade logística e defesa institucional junto dos decisores políticos.

Fontes

European Equestrian Federation: US-EU Trade Tariffs Impact on Equestrian Sector
American Horse Council: Tariffs: The Horse Industry’s Journey into the Great Unknown
CBS Statistics Netherlands: Exports of horses worth 457 million euros in 2024
Eurostat: Trade in goods with the United States in 2024